Emoção é dor por dentro,
a palavra é bisturi
que relembra.
Filme, foto,
nem fita grava
são a lágrima
do momento.
A emoção renasce
o poema finge o agora,
a ficção imita o sentimento,
é brilho da estrela caindo.
Narro um presente fictício,
busco o silêncio da noite seca,
lembrança enterrada no calendário.
Esse momento é estranho,
a caneta derrapa,
descrevo o ontem
com letras dedicadas
aos olhos alheios.
Estátuas perfeitas têm sangue de mármore,
o pênis rígido atrás da folha imóvel,
não importa a coxa morna
da adolescente em êxtase.
Vivo do antes para agora,
fatos, anseios, tiro de trás para fora.
Não descrevo segundos do relógio,
E se morro de surpresa
não conto as agonias
da memória.
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