Não reconheço a face do velho retrato.
Fui eu, sou todos agora, incluído este caderno
e a caneta traçando átomos ligados às minhas veias.
O céu distante da infância está na terra que me espera,
fungos, flores, florestas ou asfalto, pedra, objeto,
nevoeiros mais ou menos densos,
nêutrons, prótons, elétrons,
gêmeos idênticos deste coração trêmulo,
desde o beijo até a linha deste verso.
O ar eu queimo no pulmão vermelho.
Para o espermatozóide eleito,
o orgasmo é o clarão iluminando a caverna.
O cotidiano estreito engulo na alquimia transformista.
Há milhões de anos me transformo em planta, inseto e alma
na fina capa de oxigênio do planeta.
Matéria-prima das galáxias, sou barro para esculpir a vida eterna.
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