Você tem um jeito sensual
de pegar ovos e parti-los
com a dúvida de
um galo enciumado.
Sua sandália de praia já matou
formigas desesperadas para lamber
o ventre da rainha.
Aproveito a gota de sangue na sua pele,
meu consolo envolve o corpo inteiro,
mordo seus dentes,
destruo o cinto de castidade
em aço inoxidável
benzido pelo Papa.
A temperatura da alma
escapa pela boca
e me contamina.
Depois do adultério,
a família
debulhada em prantos,
você ainda reclama o orgasmo ter sido descrito sem eróticos detalhes.
Na crônica cotidiana
o lugar-comum restabelece a virtude,
oculta no poema, impávida,
você permanece além de todos os enganos.
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